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Reinvindicamos para nós próprios o estatuto de fiéis depositários de um Nacional-Cançonetismo perdido algures nas brumas do tempo, pelo direito alienável à pretensão que assiste qualquer artista que se preze.

Fazemos do "formato-canção" a tocha que nos alumia pelos trilhos perdidos da Música Ligeira Portuguesa e usamos versos de amor como arma de arremesso e insurreição. A nossa banda é a maturação de muitos anos a ouvir em segredo Neil Diamond na estereofonia dos nossos pais, a disfarçar a emoção perante a batida dançante dos ABBA e a esconder o embaraço dos pêlos iriçados pelas baladas mais românticas da Bonnie Tyler. A semente fica e continua teimosa e autónoma a crescer acabando por medrar.

Floresce inevitavelmente assim que o medo e a insegurança estejam devidamente resolvidos. A bitola da estética reinante lança sobre o povo a sua tirania feroz tentando matar as sensibilidades. Gostar de música romântica é hoje proibido por estas leis.

É punível com sanções que podem ir até à exclusão total dos mais concorridos grupos sociais. Aceita o nosso humilde convite a esse acto de rebeldia sublime, que é o regresso às origens da apreciação afectiva da música, como se não existisse uma lógica estética (nem sequer ética) a toldar os ouvidos de quem sintoniza uma frequência alternativa. Pois o homem em quem a emoção domina a inteligência recua a feição do seu ser a um estádio da evolução anterior, em que as faculdades da inibição dormiam ainda no embrião da mente.

 
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